Mestre, meu Mestre soberano dos nossos sonhos,
Causa primeira do mundo e da luz que nos desperta,
Na busca do teu ser, a ciência ergue os seus passos,
Tenta medir em fórmulas a tua ordem certa,
E decifrar as leis que sustentam os espaços.
Tudo é esforço neste mundo de razão e medida,
A mente perscruta a matéria, o átomo, a constante,
Procurando no labor o sentido e a própria vida;
Mas a Ciência é apenas o reflexo hesitante
Da Causa Primeira que a fez ser concebida.
Tu chamaste-me à tua imagem e me deste o saber,
Fizeste-me abrir os olhos ao rigor da observação,
E responsabilizas-me pelo método e pelo fazer,
Pelo cálculo exato e pela obra da criação.
Mas a experiência maior não cabe no laboratório,
Nem nas equações que terminam na borda do cosmos;
Fora do universo e do tempo transitório,
Na experiência pura da alma nos recontamos.
Pois replicar a tua Causa não é mover a matéria,
É o ato de criar, de amar, de intuir o infinito.
Dá-me um momento, Mestre, nesta busca austera,
Para que além do método e do espaço inscrito,
Eu mereça tocar a tua presença soberana e eterna.
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