quinta-feira, 19 de março de 2026

O Caminho de Bernardo

 

O Gemini disse

O Caminho de Bernardo

Quando a morte lhe levou o que mais amava, o silêncio de Bernardo tornou-se quase absoluto. Foi nesse vazio que as dúvidas mais pesaram: Para quê continuar? Qual o sentido de caminhar quando o destino parece deserto? Mas "rendição" não era uma palavra que os seus ouvidos estivessem programados para processar.

Bernardo não se ergueu com um grito, mas com um suspiro firme. Cada tratamento doloroso, cada noite de luto e cada momento de incerteza foram cicatrizes que aceitou como medalhas. Aprendeu que o aço se tempera no fogo mais baixo, aquele que queima devagar e sem fumo.

No dia em que todos julgaram que Bernardo chegaria ao seu limite, ele surpreendeu-os. Não por ter recuperado uma glória antiga, mas por ter encontrado uma nova forma de caminhar. Quando a estrada asfaltada da vida "normal" terminou para ele, Bernardo não parou. Com as suas últimas forças, começou a talhar um trilho no meio do mato denso da adversidade. Não precisava que o mundo soubesse o seu nome; bastava-lhe saber que, enquanto houvesse um sopro de vida, o "homem teimoso" continuaria a avançar.

Mas houve um dia em que Bernardo parou. Não porque se tivesse rendido, mas porque até o aço precisa de arrefecer para não quebrar. Sentou-se à beira do caminho que ele próprio tinha desbravado e, pela primeira vez em muitos anos, olhou para trás. Nesse "parar um pouco", o mundo pensou que ele se tinha finalmente resignado ao cansaço. Enganaram-se. Bernardo estava apenas a calibrar a bússola.

O desejo de mudança de Bernardo não é um capricho; é o seu oxigénio. Percebeu que manter-se ocupado não era uma fuga, mas uma forma de honrar a vida que quase lhe tinha escapado entre os dedos. Surgiram novos projetos: começou a transformar matérias brutas — talvez madeira, talvez palavras, talvez a terra. Coisas que, como ele, resistem ao tempo. Cada peça nova era uma resposta às vozes que lhe diziam para descansar.

Para Bernardo, a estagnação é o verdadeiro inimigo. Aceita que o corpo tenha limites com a idade, mas recusa que a mente tenha fronteiras. A sua teimosia, que outrora o manteve vivo na doença, transformou-se agora em curiosidade.

O seu "ser" é um verbo em constante movimento: ele não está Bernardo, ele torna-se Bernardo todos os dias

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