Ao
fundo, a igreja, velhinha e silenciosa,
parece saber segredos de outros dias.
E contam os antigos, em voz misteriosa,
que por ali passou D. Afonso Henriques,
entre guerras, sonhos e conquistas tardias.
Mas
é lá no alto, serena e altaneira,
que uma casa parece escutar o passado.
Ali onde a vida foi, um dia, prisioneira,
há hoje um lar tranquilo, de coração habitado.
Já
não se ouvem passos atrás das grades,
nem o peso das penas, nem vozes de aflição.
A antiga prisão rendeu-se às vontades
de quem ali encontrou casa, abrigo e chão.
E
à sua volta, a floresta respira devagar,
como se o mundo tivesse aprendido a esperar.
Entre árvores antigas, no silêncio do lugar,
um Ginkgo estende os ramos sobre o tempo,
como quem ainda se lembra de tudo o que viu passar.
Talvez
seja essa a maior lição da casa:
o tempo não apaga — transforma.
A pedra guarda o que a memória abraça,
e até onde houve dor, a vida encontra uma forma.
Porque
há lugares que não morrem com os anos,
apenas mudam de nome, de voz e de destino.
E entre muros antigos, árvores e seres humanos,
o passado continua a caminhar conosco,
silencioso, profundo e quase divino.
Sem comentários:
Enviar um comentário