A voz dela
vinha atrás de mim,
Como um canto
que alcança o vento,
«Não temas
caminhar assim,
Pois trago a
paz no teu alento.
Eu vi-te
nascer, vi o teu peito ferido,
E a dor
profunda do teu caminhar;
Não trago o teu
destino derradeiro,
Mas o descanso
que te há de amparar.
Entre o teu
nascimento e o teu fim,
Não sou tua
inimiga nem o teu mal;
Vi a noiva
chorar ao ver-me chegar,
Vi o amor
perder-se no mar caudal.
Eu recolho o
que a flor deixou para trás,
Não sou
demónio, nem venho gozar;
Mas quando o
teu corpo não puder lutar,
Estarei à tua
espera para te abraçar.
Venho serena
até no meio da guerra,
Para aliviar a
dor que te consome;
É esta a lei
que rege a terra:
Deixo seguir
quem a vida ainda consome.
Ouvi a tua voz
em surdina a chamar,
Suplicando pelo
fim da tua dor;
E aqui estou,
para te desarmar,
E cobrir-te com
um manto protetor.»
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