Para além do Bojador, onde o medo era lenda,
Rasgaram-se as velas no escuro do mar.
Sem chão sob os pés, em tão rija contenda,
Partiram os nossos com fé no olhar.
Desbravaram caminhos no vasto horizonte,
Dando a conhecer novos povos e terras sem fim,
Unindo este mundo de ponte em ponte,
Com a alma gravada na pele e no sal.
E por cá, junto ao cais de salgado pranto,
Ficaram os olhos banhados em dor,
A medir a distância em silêncio e espanto,
A guardar no peito um imenso amor.
Desejavam o regresso em cada maré,
Pois quem parte não morre no nosso coração;
Na saudade aprendemos a erguer a nossa fé,
E a fazer da memória a eterna canção.
Belo poema
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