domingo, 14 de junho de 2026

O Eco dos Sorrisos Adiados

 

Os anos passaram, velozes, sem aviso,

 E agora, ao olhar para trás com clareza,

Vejo o preço de cada sorriso adiado,

 Submerso na pressa e na falsa certeza.

 

Vi os meus filhos crescerem a correr,

Enquanto eu ganhava o pão do amanhã,

E vi os meus pais desaparecer, morrer,

Na voragem do tempo, essa força vilã.

 

"Depois eu faço", "depois eu descanso",

Dizia eu, sempre ocupado e ausente,

Adiei os abraços no porto manso,

E os lugares que a alma queria ter em frente.

 

Pedias mais tempo, mais horas ao dia,

Preso na urgência de contas a pagar,

Mas no final da estrada, nesta agonia,

Não são os dias de trabalho que vêm consolar.

 

O que fica na mente, o que nos conforta,

São os momentos que o peito levanta,

Aquilo que fez o coração bater mais forte,

E que a memória, grata, ainda canta.

 

O tempo não volta, desfaz-se no vento,

Não o desperdices com o que é supérfluo e vão;

Vive o agora, abraça o momento,

E entrega a vida a quem tens no coração. 



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