Os anos passaram, velozes, sem aviso,
E agora, ao olhar
para trás com clareza,
Vejo o preço de cada sorriso adiado,
Submerso na pressa e
na falsa certeza.
Vi os meus filhos crescerem a correr,
Enquanto eu ganhava o pão do amanhã,
E vi os meus pais desaparecer, morrer,
Na voragem do tempo, essa força vilã.
"Depois eu faço", "depois eu descanso",
Dizia eu, sempre ocupado e ausente,
Adiei os abraços no porto manso,
E os lugares que a alma queria ter em frente.
Pedias mais tempo, mais horas ao dia,
Preso na urgência de contas a pagar,
Mas no final da estrada, nesta agonia,
Não são os dias de trabalho que vêm consolar.
O que fica na mente, o que nos conforta,
São os momentos que o peito levanta,
Aquilo que fez o coração bater mais forte,
E que a memória, grata, ainda canta.
O tempo não volta, desfaz-se no vento,
Não o desperdices com o que é supérfluo e vão;
Vive o agora, abraça o momento,
E entrega a vida a quem tens no coração.
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