Chegou o momento, não há mais
desvio,
a berma da estrada é o limite do
que foi.
O asfalto que piso ficou mais
vazio,
e a bagagem que levo já nem
sequer dói.
Não restará ouro, nem glória, nem
bem,
apenas a conta que falta
liquidar:
Impressa na pele de quem foi e
quem vem,
Gravada no coração que se vai
calar.
No fim de tudo, o mundo chama por
mim,
chama-me forte, com a força de um
mar,
mas a vida é luta, do início até
ao fim,
um braço de ferro difícil de
aguentar.
"Há um grito da terra, um
apelo profundo,
um combate final que se trava no
escuro."
Mas por mais que o espírito
enfrente este mundo,
há um limite imposto, um
derradeiro muro.
É o corpo que cede, cansado e
vencido,
a carne que verga ao peso da
idade,
o sopro que cai no silêncio
esquecido,
desfeito na bruma de uma outra
saudade.
E quando a matéria se render ao
chão,
e o velho relógio parar o seu
tic-tac,
livre do tempo e da sua prisão...
só resta a alma, intacta no
baque.
Sem comentários:
Enviar um comentário