domingo, 17 de maio de 2026

Fim da estrada

 

Chegou o momento, não há mais desvio,

a berma da estrada é o limite do que foi.

O asfalto que piso ficou mais vazio,

e a bagagem que levo já nem sequer dói.

 

Não restará ouro, nem glória, nem bem,

apenas a conta que falta liquidar:

Impressa na pele de quem foi e quem vem,

Gravada no coração que se vai calar.

 

No fim de tudo, o mundo chama por mim,

chama-me forte, com a força de um mar,

mas a vida é luta, do início até ao fim,

um braço de ferro difícil de aguentar.

 

"Há um grito da terra, um apelo profundo,

um combate final que se trava no escuro."

Mas por mais que o espírito enfrente este mundo,

há um limite imposto, um derradeiro muro.

 

É o corpo que cede, cansado e vencido,

a carne que verga ao peso da idade,

o sopro que cai no silêncio esquecido,

desfeito na bruma de uma outra saudade.

 

E quando a matéria se render ao chão,

e o velho relógio parar o seu tic-tac,

livre do tempo e da sua prisão...

só resta a alma, intacta no baque.





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