O tempo não passa apenas pelo relógio na parede, Ele caminha por dentro, em passos de silêncio, Escrevendo no rosto a tinta das escolhas, Transformando a pele em pergaminho e espera.
Meus olhos, outrora janelas de um brilho solar, Agora guardam sombras de luas que não dormi, São poços profundos onde a experiência descansa, Refletindo o mundo que, com esforço, eu tentei compreender.
Minhas mãos, que antes eram hastes macias, Hoje exibem veias como raízes de um carvalho, Trazem as marcas de quem plantou e colheu, Calejadas pelo tempo, pelo sol e pelo trabalho.
Cada cicatriz é uma frase de um livro aberto, Um erro que aprendi, uma luta que venci, O corpo é o mapa de uma longa viagem, Onde a evolução é o rasto do que vivi.
As costas, mais curvas, carregam o peso, De todas as pontes que tive que atravessar, Mas não é cansaço, é a forma da alma, Que aprendeu com a gravidade a arte de amar.
Não sou mais o rascunho de pele viçosa, Sou a obra acabada, gravada em detalhe, Pois a evolução não se dá no que fomos, Mas na beleza da marca que a vida nos talha.
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