“Meus caros e pecadores irmãos,
aproximem-se, mas mantenham as carteiras abertas, pois a proximidade de Deus
mede-se pela grandeza do dízimo. Eu, o vosso humilde Pastor Inácio, não vim
trazer apenas a paz — Vim trazer-vos a solução definitiva para a vossa alma
imunda: o Feijão Sagrado”
Garanto-vos que este feijão não é
de uma marca branca do supermercado ali da esquina. Pura heresia! Este grão foi
colhido por anjos que não têm mais nada que fazer senão cultivar leguminosas
para a vossa salvação. Cada feijão custa apenas 10 euros, um preço módico para
quem quer evitar o Purgatório.
Enquanto vós, ovelhas mansas
dobram os joelhos no chão duro, eu sacrifico-me por vós. Afinal, como é que o
vosso Pastor poderia pregar sobre a glória do Céu se vivesse na lama da
mediocridade? A minha conta bancária não é riqueza, é um "depósito de
fé" acumulado para combater a pobreza e males do mundo profano.
O profano? Ah, o profano está em
todo o lado! Está no bar da esquina, está na música que não paga direitos de
autor à minha igreja, está naqueles que ousam perguntar onde param as faturas
dos donativos. Para esses, não há feijão que os salve. Para esses, reservo a
"bala prateada" da excomunhão social.
Se eu viajo em primeira classe, é
apenas para estar mais perto das nuvens, onde a receção das vossas preces é
mais límpida, sem a interferência do fumo dos vossos pecados terrenos. Não me
invejeis os meus bens, invejai a minha capacidade de suportar o conforto em
vosso nome.
Se o feijão não germinar na vossa
horta, a culpa não é do grão, é da vossa falta de fé.
Lembrem-se: Não queiram fazer parte desse grupo de homens sem fé. Passem o cesto, fechem os olhos e deixem
que o vosso dinheiro voe para as nossas mãos para fazer o bem em nome comum.
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