domingo, 22 de fevereiro de 2026

O Feijão sagrado

 

“Meus caros e pecadores irmãos, aproximem-se, mas mantenham as carteiras abertas, pois a proximidade de Deus mede-se pela grandeza do dízimo. Eu, o vosso humilde Pastor Inácio, não vim trazer apenas a paz — Vim trazer-vos a solução definitiva para a vossa alma imunda: o Feijão Sagrado

Garanto-vos que este feijão não é de uma marca branca do supermercado ali da esquina. Pura heresia! Este grão foi colhido por anjos que não têm mais nada que fazer senão cultivar leguminosas para a vossa salvação. Cada feijão custa apenas 10 euros, um preço módico para quem quer evitar o Purgatório.

Enquanto vós, ovelhas mansas dobram os joelhos no chão duro, eu sacrifico-me por vós. Afinal, como é que o vosso Pastor poderia pregar sobre a glória do Céu se vivesse na lama da mediocridade? A minha conta bancária não é riqueza, é um "depósito de fé" acumulado para combater a pobreza e males do mundo profano.

O profano? Ah, o profano está em todo o lado! Está no bar da esquina, está na música que não paga direitos de autor à minha igreja, está naqueles que ousam perguntar onde param as faturas dos donativos. Para esses, não há feijão que os salve. Para esses, reservo a "bala prateada" da excomunhão social.  

Se eu viajo em primeira classe, é apenas para estar mais perto das nuvens, onde a receção das vossas preces é mais límpida, sem a interferência do fumo dos vossos pecados terrenos. Não me invejeis os meus bens, invejai a minha capacidade de suportar o conforto em vosso nome.

Se o feijão não germinar na vossa horta, a culpa não é do grão, é da vossa falta de fé.

Lembrem-se: Não queiram fazer parte desse grupo de homens sem fé. Passem o cesto, fechem os olhos e deixem que o vosso dinheiro voe para as nossas mãos para fazer o bem em nome comum.

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