O céu sobre o vale tinha a cor de chumbo velho. Não era apenas o prenúncio de uma tempestade; era como se o próprio ar estivesse retido, esperando o momento de cobrar uma dívida. No centro de uma clareira cercada por árvores retorcidas que pareciam dedos esqueléticos, estava Bernardo.
O Peso da Consciência
Bernardo não era um homem de muitas palavras, mas carregava o peso de mil segredos. Ele caminhava com o passo pesado de quem foge de algo que não tem pernas, mas que corre mais rápido que a luz: o passado. Suas mãos, outrora firmes, agora tremiam levemente sob o tecido gasto de seu casaco. Ele parou diante da velha forca natural — um galho de carvalho que se projetava como uma sentença de morte. Ali, o vento começou a sussurrar. Não era o vento que refresca a tarde, mas um sopro gelado que trazia vozes de nomes que Bernardo tentara esquecer. Bernardo caiu de joelhos. Ele olhou para a terra seca e viu as marcas de quem passou por ali e nunca mais voltou. O vento não pedia desculpas; ele exigia a verdade. As sombras ao redor de Bernardo começaram a se alongar, transformando-se em figuras espectrais. Eram as testemunhas de seus atos, os juízes de uma corte onde não há advogados, apenas o veredito do destino.
O Veredito
"Eu fiz o que tinha que ser feito!" — Bernardo gritou para o vazio, mas sua voz foi engolida pela ventania.
O vento rugiu de volta, trazendo o cheiro de chuva e ferro. Naquele tribunal sob o céu cinzento, não importavam as intenções, apenas as consequências. Bernardo percebeu que a sua jornada de fuga terminava ali. O "Julgamento do Vento" não era sobre uma sentença de prisão, mas sobre o momento em que a alma se torna tão pesada que não consegue mais caminhar. Quando a primeira gota de chuva atingiu o solo, Bernardo fechou os olhos. O vento, finalmente satisfeito, levou consigo o último suspiro de um homem que descobriu, tarde demais, que a terra tudo ouve e o vento tudo cobra.

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