domingo, 30 de novembro de 2025

A Marcha da Estupidez

 

A Marcha Triunfal da Estupidez ( 90 anos)

É um privilégio observar, com este distanciamento histórico  de quase um centenário, a formidável resiliência da Estupidez Humana. É um fenómeno digno de estudo, quase uma obra de arte evolutiva, que floresceu gloriosamente nas décadas de 30 do século passado e, imagine-se, conseguiu a proeza de não só sobreviver as guerras, revoluções tecnológicas e a invenção da internet, mas também de se reinventar e prosperar nos dias de hoje.

Pensaríamos nós, na nossa inocência ingénua que com o acesso a toda a informação do mundo na palma da mão, as massas seriam finalmente libertadas. Que o velho e agradável tédio do pensamento seria erradicado. Mas não. A Estupidez, com uma visão estratégica invejável, transformou o acesso à informação na sua principal aliada. Hoje, a indiferença perante o que nos rodeia já não é um lapso, é uma escolha de carreira para alguns.

A grande novidade desta versão 3.0 é a sua sofisticação. Na década de 30, a coisa era mais artesanal, mais evidente. Agora, veste tweed tecnológico, utiliza hashtags e é promovida, ironicamente, por algoritmos. A estupidez contemporânea é democrática: não discrimina por nível de escolaridade, atingindo o pico da sua glória nas nações que se autoproclamam faróis da razão e da luta pela verdade.

Em Portugal, claro, não podíamos ficar de fora desta tendência global chique. Assistimos, de camarote, a debates sobre o sexo dos anjos enquanto a casa arde, e tudo embrulhado numa cortesia social que confunde apatia com paz de espírito.

Portanto, um brinde à Estupidez! Que maravilha de motor social. Permite-nos dormir descansados, ignorar o óbvio e culpar sempre o vizinho. E, francamente, quem é que precisa de consciência aberta quando se tem tanta coisa para partilhar nas redes sociais? A evolução, meus amigos, não para, pois no campo da ignorância voluntária, estamos a atingir o estatuto de potência mundial.



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