Pouso as mãos na mesa e meço a vida
Não pelas estrelas que não alcancei,
Mas pela poeira fina e esquecida
Dos caminhos simples por onde andei.
Gastei a juventude a desenhar o céu,
Certo de que a grandeza me esperava;
Mas a vida desfez o que era meu
E deu-me a terra dura que pisava.
Houve um tempo de raiva e de desdém,
De olhar o vazio e achar pouca a lida,
Até ver que a dor ensina também
A demarcar o chão da própria vida.
Não há mistério nem grande ciência
No gesto cansado de aceitar a dor;
Há só o silêncio e a paciência
De quem faz do pouco o seu valor.
Já não olho o infinito com urgência,
Nem me pesa o que o tempo me tirou:
Descobri a serena permanência
No homem simples em que me tornou.
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