quinta-feira, 30 de julho de 2026

Antes do Infinito


Pouso as mãos na mesa e meço a vida

Não pelas estrelas que não alcancei,

Mas pela poeira fina e esquecida

Dos caminhos simples por onde andei.

Gastei a juventude a desenhar o céu,

Certo de que a grandeza me esperava;

Mas a vida desfez o que era meu

E deu-me a terra dura que pisava.

Houve um tempo de raiva e de desdém,

De olhar o vazio e achar pouca a lida,

Até ver que a dor ensina também

A demarcar o chão da própria vida.

Não há mistério nem grande ciência

No gesto cansado de aceitar a dor;

Há só o silêncio e a paciência

De quem faz do pouco o seu valor.

Já não olho o infinito com urgência,

Nem me pesa o que o tempo me tirou:

Descobri a serena permanência

No homem simples em que me tornou.





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