Na minha casa, o rio é um segredo,
Espreita o horizonte em doce calma,
No fundo do quintal, num breve enredo,
Laranjeiras florescem para a alma.
Ergue-se o Ginko, imponente guardião,
Testemunha de eras, firme e paciente,
Enquanto a floresta, em vasta pulsação,
Abriga o canto de um coro estridente.
Ao lado, a igreja, o tempo a descansar,
O adro longo, o cruzeiro no altar do chão,
É aqui, neste fado, que hei de ficar,
Até que o tempo se perca na imensidão.
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