domingo, 15 de fevereiro de 2026

O Homem que Escolheu o seu Fim


Pai, hoje as memórias sopram como o vento que corta a terra, trazendo de volta o tempo em que o era o meu gigante particular. Recordo-me, com uma saudade que aperta o peito, de quando me acompanhava na infância. Estava lá em cada momento de diversão, mas também era a mão firme e o cuidado paciente nos curativos dos meus tombos. Naquele tempo, eu não entendia que cada arranhão que o senhor limpava era, na verdade, uma lição sobre resiliência.

Foi um homem austero, de poucas palavras e mãos calejadas pelo trabalho, mas havia uma serenidade profunda que transpareceu no final. Mesmo quando as sombras se aproximavam e o senhor sabia que o fim estava perto, não houve desespero. Enfrentou o inevitável com a dignidade de quem compreendeu a maior das lições: "um homem não escolhe a sua sorte, mas pode escolher o seu fim". Escolheu partir com a paz de quem cumpriu a sua missão.

Por uma dessas coincidências que parecem escritas nas estrelas, passaram-se 13 anos até que o destino marcasse o reencontro com a sua "grande mulher". E não poderia ser numa data qualquer; foi num dia de fevereiro que o calendário só nos devolve a cada quatro anos, como se o tempo precisasse de um fôlego extra para celebrar uma união tão eterna.

Para mim, o seu sonho e o seu legado não têm fim; ambos continuam a ecoar através das gerações, expandindo-se para o infinito e mais além.

Obrigado, pai, por me ensinar a ser forte mesmo quando a vida aperta. Sigo honrando o teu nome, com a certeza de que, quando o meu sol também se puser, estarás lá na porta para me dar aquele abraço que o tempo nunca apagou.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Sonho da “Terra Nova”

  O despertador não tocou, mas a mente despertou. Não na penumbra habitual do quarto, abafada pelo zumbido distante do trânsito e pela luz a...