Pai, hoje as memórias sopram como
o vento que corta a terra, trazendo de volta o tempo em que o era o meu
gigante particular. Recordo-me, com uma saudade que aperta o peito, de quando
me acompanhava na infância. Estava lá em cada momento de diversão, mas também
era a mão firme e o cuidado paciente nos curativos dos meus tombos. Naquele
tempo, eu não entendia que cada arranhão que o senhor limpava era, na verdade,
uma lição sobre resiliência.
Foi um homem austero, de poucas
palavras e mãos calejadas pelo trabalho, mas havia uma serenidade profunda que
transpareceu no final. Mesmo quando as sombras se aproximavam e o senhor sabia
que o fim estava perto, não houve desespero. Enfrentou o inevitável com a
dignidade de quem compreendeu a maior das lições: "um homem não escolhe
a sua sorte, mas pode escolher o seu fim". Escolheu partir com a paz
de quem cumpriu a sua missão.
Por uma dessas coincidências que
parecem escritas nas estrelas, passaram-se 13 anos até que o destino
marcasse o reencontro com a sua "grande mulher". E não poderia ser
numa data qualquer; foi num dia de fevereiro que o calendário só nos
devolve a cada quatro anos, como se o tempo precisasse de um fôlego extra para
celebrar uma união tão eterna.
Para mim, o seu sonho e o seu
legado não têm fim; ambos continuam a ecoar através das gerações, expandindo-se
para o infinito e mais além.
Obrigado, pai, por me ensinar a ser forte mesmo quando a vida aperta. Sigo honrando o teu nome, com a certeza de que, quando o meu sol também se puser, estarás lá na porta para me dar aquele abraço que o tempo nunca apagou.

Sem comentários:
Enviar um comentário